Satisfação do cliente e como a cultura digital está inserida nesse processo foi o centro das discussões nos painéis no 8º Fórum de Liberdade e Democracia
Na quinta-feira (5), primeiro dia de abertura do 8º Fórum Liberdade e Democracia, promovido pelo Instituto Líderes do Amanhã, em Vitória, os empresários Julio Vasconcellos, fundador do Peixe Urbano e sócio fundador do Atlântico, e Flávio Rocha, presidente do Conselho de Administração do Grupo Guararapes, que inclui as Lojas Riachuelo, participaram do painel “Como a Digitalização Amplia o Acesso das Massas ao Mercado”.
Vasconcellos trouxe dados da pesquisa realizada por sua empresa de como a digitalização tem ampliado o acesso no mercado de trabalho para quase 4 milhões de pessoas.
O fundador do Peixe Urbano destacou que, dado a pandemia e ao fato do governo federal distribuir o auxílio emergencial, ocorreram mais de 30 milhões de downloads do aplicativo Caixa Tem neste período. “Estima que foi a primeira vez desses milhões de usuários brasileiros a entrarem no mercado financeiro. Os canais digitais permitiram o acesso dos brasileiros ao básico no sistema financeiro”, disse.
Outra área pontuada por Vasconcellos foi a saúde, se referindo a telemedicina no Brasil durante a pandemia. “Na pandemia o governo viu que era essencial dar acesso a telemedicina. Ao longo deste período, cresceu o número de usuários, foram mais de 10 mil chamadas diárias. Tínhamos muitas pessoas que moravam em locais que não eram acessíveis, e que agora conseguem ter acesso ao atendimento online, que é mais barato e rápido”.
Já Flávio Rocha, destacou as mudanças na área do varejo que, segundo ele, tem um papel transformador na evolução histórica da humanidade.
“O protagonismo do consumidor começou a ter destaque com a digitalização, e gerar valor nas tomadas de decisões. Elas ficaram mais assertivas após a criação do código de barras, que foi a revolução do varejo. A segunda revolução foram as plataformas que surgiram junto com a tecnologia, que faz conexões e promove uma transformação disruptiva. O varejo no centro dentro das plataformas permite uma democratização”, compartilhou Rocha.
Futuro dos empresários varejistas
“A rede de lojas é uma rede em extinção. O varejista não pode ver sua loja entre quatro paredes. O cliente do mundo digital é abraçado por muitos pontos, e está em diversas plataformas. Para ter esse espaço privilegiado no smartphone do cliente são dois pontos a serem pensados: concorrência e relevância. O nosso maior desafio é construir um ecossistema digital para a satisfação do cliente”, explicou o presidente do Grupo Guararapes, Flávio Rocha.
Rocha ainda pontuou como os dados dos clientes são importantes fontes de informação, e que é necessário reunir esse conhecimento ao ecossistema da moda no digital.
“A Riachuelo tem a proposta do super app que visa revolucionar o mercado de moda no digital, que é o grande Marketplace da Riachuelo. Nosso plano de expansão continua firme: a expansão das lojas físicas, serão mais de 95 lojas até o ano que vem. Nós acreditamos que estamos empenhados em crescer nossa participação no digital, com o intuito de gerar concorrência e relevância para o cliente. Graças ao nosso modelo logístico integrado conseguimos redirecionar o estoque e atender a demanda do digital durante a pandemia”, acrescentou.
CEO do Nubank
Durante o painel “Capitalismo Brasileiro no Mundo”, voltado mais para empreendedores e para um público mais interessado em empreender, o fundador e CEO do Nubank, David Vélez, compartilhou um pouco da sua trajetória empreendedora.
“Venho de uma família de empreendedores natos. O lado do meu pai são todos pequenos empreendedores. Aprendi que liberdade é ser seu próprio chefe, ser dono do seu próprio destino”, disse Vélez.
De acordo com o CEO do Nubank, os momentos de crises foram valiosos, foi um processo de erros e sucessos. Ele afirmou que a jornada e o aprendizado são mais importantes que a reta final. Desde a fundação do Nubank, o banco digital chama a atenção dos brasileiros pela forma simples e interativa do sistema.
“Eu lembro da frustração que gastava de cinco ou mais horas do meu tempo para abrir uma conta no banco. Parecia que o banco não queria fazer um negócio comigo. Hoje as empresas estão brigando pelo o amor do cliente. A burocracia foi uma forma de ver uma grande oportunidade de empreendimento. O problema que eu estava sentindo na pele, outros milhões de brasileiros poderiam estar sentindo”, disse.
Vélez exaltou que a maior defesa é ter milhões de pessoas fanáticas pelo seu produto, assim ele está agregando valor para a sociedade. Já que bancos digitais como o Nubank mudaram o conceito de banco.
“A grande pergunta é como os bancos estão adotando o digital. O segredo para que eles tenham sucesso, os que vão sobreviver, que além de ser um desafio tecnológico, é um desafio cultural. A gente não vende um produto, a gente vende cultura, um propósito”, finalizou o CEO.





