Transição energética. Para que? Por que? O que significa? O que nos levou a chegar a uma situação de transição? Transição envolve o abandono de um padrão antigo e a adaptação a um novo, ter que lidar com diferenças culturais, com a economia, com a boa vontade dos governos, com as políticas públicas e muito mais.
Nos últimos anos e nos próximos, estaremos envolvidos passando por uma transição energética. Estamos abandonando um combustível fóssil e trocando para um outro combustível renovável. Por que? Porque o nosso planeta está sofrendo as consequências da nossa devastação, do uso descuidado que fizemos até hoje dos combustíveis e da energia.
Para realizarmos uma transição efetiva, precisamos assumir a responsabilidade sobre a nossa participação nas condições que nos levaram a ela e também no desenrolar dela. O que estamos fazendo para que possamos ter o planeta em condições habitáveis para a raça humana? Estamos educando nossas crianças para que respeitem a vida neste planeta? Estamos informando a elas sobre o que está acontecendo? São elas que irão receber o nosso legado.
Precisamos pensar em que condições vamos deixar o planeta para essas crianças, incluindo nossos filhos, netos e nossa família. Só depois de termos consciência da nossa responsabilidade é que a discussão técnica sobre as soluções torna-se eficiente. E a técnica nunca, nunca, nunca deve andar sozinha; deve andar junto com a ética, com o cuidar. Somos filhos do cuidado.
Estamos fazendo isso? São perguntas o tempo todo. O ser humano vive baseado na incerteza e nós estamos num momento em que temos que ficar atentos, pois vamos ter que tomar decisões complexas num ambiente muito incerto. Então, precisamos nos preparar e preparar aqueles que estão ao nosso redor.
Cada um de nós tem um papel a ser feito. Se somos formadores de opinião, precisamos apresentar dados. Os nossos governantes precisam apresentar soluções factíveis para a integridade do planeta. Quando falamos em planeta, falamos sobre a raça humana. Nosso planeta sofre, mas ele resiste. Nós sofremos e nos extinguimos. Temos consciência disso?
As lideranças que estão sendo formadas têm que desenvolver competências tanto técnicas quanto éticas, culturais, sociais e ambientais. Os jovens líderes devem entender o importante papel de conexão que representam, fazendo os diversos valores conversarem com as diversas necessidades.
Então, vivemos um momento delicado, mas, quando olhamos os relatórios dos grandes laboratórios e dos governos mais fortes do mundo, vemos um crescimento contínuo da comercialização e do uso de combustível fóssil, e nós estamos pagando um preço muito alto por isso.
Precisamos fazer a transição energética dar certo e, para isso, precisamos lidar com os pilares que a sustentam, como a eletrificação, a descarbonização, o objetivo de zerar as emissões de carbono e o uso da captura, utilização e armazenamento do CO₂.
É um caminho longo para nós e para nossa Terra. Já passamos do carvão para o petróleo; sabemos o que é isso. Atualmente, a transição está agregando mais um pilar na sua base: a necessidade de que ela seja justa. Ela não deve incluir mais desigualdade energética. Temos mais de meio bilhão de pessoas sem acesso à energia elétrica no mundo, cerca de 8% da população mundial.
Está na hora de acertarmos algumas coisas. Indo para além de uma transição energética, vamos fazer uma transição energética justa.
Para tudo isso dar certo, precisamos que cada um faça o seu papel, de dentro das nossas casas até todos os confins do planeta.
Profa. Dra. Jussara Farias Fardin, Jussara Farias Fardin, é professora titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Espírito Santo.




