Dia triste para mim, escreve José Armando

A morte de um dos fundadores do ES em Ação, o empresário Carlos Fernando Lindenberg Filho, presidente do Conselho de Administração da Rede Gazeta, causou tristeza e muitas manifestações de pesar dos integrantes do movimento empresarial. Uma delas é a despedida emocionada do conselheiro José Armando Figueiredo Campos, amigo de longa data de Cariê, integrante do Conselho da Rede Gazeta e do Deliberativo do ES em Ação. Ele se despediu com o texto a seguir:

José Armando Campos

Dia triste para mim. Um dos meus primeiros amigos capixabas, foi ele que me ligou depois de poucas semanas que eu havia chegado aqui em Vitória para assumir a posição de executivo da CST recém-privatizada.

Recebi através da nossa secretária de então um telefonema dele para um encontro, bem ao seu estilo. Uns drinks e um joelho de porco num boteco do Jardim da Penha chamado Calipe.

Conversa boa, engrenou fácil e falamos de tudo um pouco: história política e econômica do ES, estado que ele amava e da sua gente, que ele conhecia.  Pontuava com recordações sobre o Rio, de onde eu acabava de chegar, e que não era mais o Rio do seu tempo: tempo de efervescência da Bossa Nova, de noites embaladas pela boa música e de muita poesia.

Com ele e vários companheiros, executivos e empreendedores capixabas sonhamos juntos o sonho de mudar o curso da história da má política capixaba no ES em Ação.

Depois que me aposentei em 2009, recebi dele o convite para juntar-me ao Conselho de Administração da Rede Gazeta, onde pude ver de perto a pessoa de alto espírito público e humanitário que governava sua vida. Pude conhecer mais de perto um democrata que soube entender o papel da imprensa e que dirigia sua empresa de jornalismo com a digital de seu caráter reto e ético.

Pude conhecê-lo melhor já nos últimos anos, em poucas visitas que lhe fiz em casa e de onde era difícil sair. Seus casos, entremeados uns aos outros, como numa longa expressão aritmética, continham parênteses, colchetes e chaves, que se abriam e fechavam, alternadamente, sem que ele perdesse o fio da meada. Rimos juntos de casos e casos, que poderiam, se ele tivesse tido mais tempo, encher mais algumas páginas dos livros que gostava de escrever.

Para no fim entender, que uma vida, encarada com espírito generoso e bom humor, parece nos deixar mais dor e saudades quando se vai.

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