Por Rayssa Mendes*
O ano de 2026 tem sido marcado por grandes reconhecimentos para a Manacá Tecnologias Sociais, startup capixaba especializada em dados, inteligência e tecnologias para impacto socioambiental e políticas pública. Conquistamos premiações importantes de inovação, impacto e tecnologia, tanto em nível estadual, quanto nacional e mesmo global. E é justamente neste momento de colher muitos frutos que eu entendi que preciso ser mentorada.
Na jornada de construir e escalar um negócio, cada salto de crescimento exige novas competências. Em cada uma dessas viradas de chave, o que realmente faz a diferença é ter alguém mais experiente por perto. E o papel dessa pessoa nunca é entregar um plano pronto, mas sim fazer a pergunta que você não seria capaz de formular sozinha.
Mentoria não oferece resposta pronta, e é exatamente aí que reside o seu maior valor. Nenhum mentor decide no meu lugar, mas eu passo a decidir de forma muito mais clara e consistente depois de conversar com ele ou ela. A escuta atenta de quem está de fora reorganiza prioridades que eu, imersa na operação e cheia de pontos cegos, já não conseguia enxergar. O questionamento tira a liderança do piloto automático. E a divergência, quando existe, nos obriga a sustentar um argumento ou mesmo a ter a maturidade de abandoná-lo se for o caso.
Foi exatamente assim na minha primeira experiência de mentoria no Be Leader. Fui mentorada pelo Gabriel Feitosa e aquele ciclo me trouxe ferramentas práticas e uma leitura de gestão estratégica fundamentais. Mas o maior legado foi a mudança na pergunta que eu carregava comigo. Deixei de perguntar “como eu resolvo isso?” e passei a questionar “isso é o que eu deveria estar resolvendo agora? Isso é uma prioridade?”. O resto vem por consequência: ampliação de rede, novos repertórios, desenvolvimento comportamental e a confiança que se constrói quando alguém com mais estrada avalia o seu trabalho.
É por vivenciar o impacto dessa troca que me candidatei novamente à mentoria do Be Leader. Do novo ciclo, espero me desenvolver como uma liderança capaz de contribuir para o crescimento do meu time. Aprendi a construir soluções, a captar recursos e a entregar resultados. No entanto, sustentar conversas difíceis e ser capaz de direcionar satisfatoriamente o desenvolvimento de uma equipe são habilidades que não se consolidam apenas com teoria. O primeiro passo é treinar e trocar com quem tem mais tempo de estrada. Também quero ampliar meu repertório para fazer escolhas com mais intencionalidade e assertividade, seja na direção da empresa, seja na minha carreira.
Se a trajetória empreendedora me ensinou algo, é que uma liderança sólida não se aprende e desenvolve de forma solitária. Programas como o Be Leader, iniciativa do ES em Ação, encurtam caminhos porque colocam, na mesma sala, quem está construindo e quem já construiu. Chego a este novo ciclo com perguntas afiadas, mente aberta e sem roteiro engessado. Afinal, mesmo com tantas conquistas recentes, eu sei que este é apenas o começo.
*Be Leader, Fundadora e CEO da Manacá Tecnologias Sociais




