Especialistas dialogam sobre o uso da tecnologia e da inteligência na segurança 

A era do Big Data permite a geração de inúmeros dados, nos mais diversos formatos e de forma rápida, contribuindo para a segurança pública e privada, ao fornecer inovações que aumentam a eficiência, a capacidade de resposta e a eficácia no enfrentamento de ameaças. 

 Ao mesmo tempo em que a tecnologia se torna cada vez mais fundamental para as atividades do dia a dia, também surge a necessidade de compreender melhor quais são as maneiras mais eficazes de implementar no dia a dia dos profissionais da área e da população. 

Promover a cultura de segurança digital implica em preparar a sociedade para o uso responsável das tecnologias. E prevenir ataques cibernéticos abrange a conscientização, a educação e a implementação de práticas seguras. O assunto foi levantado no XV Simpósio de Inteligência realizado anualmente pela Rede Capixaba de Inteligência (RCI), e que nesta edição comemorou 20 anos de atuação. 

Com o tema “Tecnologia e Segurança, segmentos público e privado: desafios e benefícios”, cerca de 130 profissionais e lideranças da área de segurança e inteligência, pública e privada, se reuniram para debater como a tecnologia está moldando o campo da segurança e os seus desafios em uma sociedade em constante transformação, nos dias 23 e 24 de novembro, no auditório do Sindifer, em Vitória. Na abertura do evento, os profissionais foram recepcionados com a apresentação musical da Banda da Guarda Civil Municipal de Vitória.

Na oportunidade, o diretor de Redes do ES em Ação, Sérgio Mileipe, pontou sobre a atuação dos profissionais que integram a RCI. “O ES em Ação está fazendo 20 anos também, nascemos praticamente juntos, e temos enfrentado um Estado que saiu de uma condição, lá atrás, bastante turbulenta e complicada, para um Estado que hoje é uma boa referência para o país, em todos os aspectos. Estamos conseguindo entregar resultados sustentáveis, e só temos a reconhecer o esforço de todos os profissionais da área”, destacou. 

O coronel José Nivaldo Campos, um dos fundadores e integrante da coordenação da RCI, destacou sobre a parceria institucional com o movimento empresarial. “Em 2007, fomos recepcionados pelo ES em Ação, que nos proporcionou o apoio necessário e, ao mesmo tempo, preservamos integralmente, a nossa autonomia enquanto rede de relacionamento”, frisou. As atividades da Rede são realizadas com o apoio de Carlos Ventura, da  delegada Inês Loss, que continuará à frente da coordenação da RCI,  e da nova integrante, Samantha Fregapani. 

Segurança no poder público 

Nos dois dias de evento, as lideranças conferiram palestras sobre variados temas. O poder judiciário e o PJE – tecnologia e segurança na prestação jurisdicional foi tema da palestra de abertura com o desembargador do Tribunal de Justiça do ES, Fernando Zardini.  

No segundo e último dia de evento, o delegado Eugênio Ricas, superintendente da Polícia Federal no ES e o comandante-geral da Polícia Militar do ES, Coronel Douglas Caus, pontuaram os recursos tecnológicos utilizados pelas instituições. 

A importância das inovações tecnológicas nas atividades de segurança pública do Estado foi levantada pelo subsecretário de Estado de Comando e Controle da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), André Có Silva.  

Cerco de Inteligência 

Os desafios e os benefícios da tecnologia e da segurança nos segmentos público e privado foi tema do painel do evento, que reuniu especialistas do cenário local e nacional para debater em torno do tema e contou com a mediação do coronel Nivaldo.  

O cerco de inteligência, serviço de monitoramento inteligente das rodovias do Espírito Santo, foi apresentado pelo coordenador de Soluções Dahua Technology, Rafael Lemos, empresa responsável pela implementação da tecnologia no Estado. A ferramenta conta com 290 pontos de fiscalização, além da possibilidade de integração com as prefeituras, capaz de disponibilizar dados gerenciais. 

“Mediante o mecanismo que temos de conexão com a base de dados, como do Detran, da Sefaz, que já está interligado com a plataforma, cruzamos as informações, e entregamos os metadados e, automaticamente, a informação é plotada na tela do operador”, pontua Lemos.  

Golpes na internet 

A Inteligência Artificial é uma realidade e a segurança ė item mais importante para o cidadão. No entanto, é possível identificar o aumento das ameaças cibernéticas, como alertou o especialista em segurança da informação e respostas a incidentes de segurança, Gilberto Sudré, segundo painelista do dia.  

Segundo o especialista, o maior número de vazamento de dados é reflexo da pandemia, diante da necessidade de migração das empresas do analógico para o virtual. Os golpistas entenderam que é mais fácil atacar no mundo virtual, diante do anonimato na internet.  

É preciso ter atenção com os golpes na internet. “Quando mais novos, éramos orientados a não falar e não aceitar nada de estranhos, mas ninguém falou sobre isso com a internet. Nós falamos com estranhos na internet, gente que nunca conversamos, e aceitamos um monte de coisas”, ressalta Sudré.  

Tecnologia e Inteligência 

O ES é exemplo em várias áreas, entre elas, combate à corrupção, integração entre as instituições policiais e em produtos e serviços que foram pioneiros no Brasil, como o Ciodes e o Disque Denúncia, que atualmente são referências nacionais.  

É o que aponta o gerente do Disque Denúncia, o delegado da Polícia Civil do ES Paulo Amaral, também painelista do Fórum. “Hoje, todas as imagens que flagram furtos e roubos no interior de coletivos, a GVBus encaminha automaticamente para nós, que direcionamos para as unidades policiais”, disse.  

O especialista em segurança privada do Sindesp/ES, Osamu Francisco Takahata, compartilhou o panorama do setor na atualidade, o uso da tecnologia e os seus desafios. A conectividade com a possibilidade de telefonia móvel, redes, sistemas e rondas eletrônicas e a evolução nos equipamentos com a realização de operações com drone, georreferenciamento em tempo real e outros, permitiram a expansão do setor. 

“Isso são os benefícios que temos, mas existe uma camada da segurança que sempre entra em discussão: isso é para nos proteger e quem protege isso aqui tudo? É algo que nós, enquanto empresa, investidores, gestores, precisamos observar. O uso da tecnologia é muito bom, mas requer investimento e estrutura, que feito de forma inadequada, pode gerar um problema para si mesmo”, enfatiza Takahata. 

Você conhece a RCI?   

 A Rede Capixaba de Inteligência (RCI) é formada por profissionais das áreas de segurança e inteligência de organizações com atuação no Espírito Santo, representando os segmentos públicos e privados. Sua missão é contribuir com conhecimento e compartilhar dados para o atendimento às demandas institucionais e empresariais, em prol do bem-estar da sociedade.    

A RCI promove encontros presenciais de diversas modalidades, como reuniões, simpósios, visitas institucionais e afins, que propiciem troca de informações relevantes e produção de conteúdo intelectual condizentes com a área de segurança. Além disso, promove networking entre os principais atores e empresas/instituições da área.  

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