Orlando Caliman*
Sem dúvida o fator segurança pública é condição básica para o desenvolvimento econômico e social de um país, estado e qualquer outra dimensão de unidade territorial. Bons indicadores de segurança normalmente estão associados a um melhor desempenho da economia em termos de emprego, renda e qualidade de vida das pessoas.
Essa associação encontra evidências em países que conseguiram galgar estágios mais avançados de crescimento econômico e social. Basta observarmos, por exemplo, correlações entre PIB per capita, que mede a riqueza produzida por habitante e a indicadores de segurança individual e coletiva. Em geral, quanto menor o indicador de homicídios e furtos, maior a o PIB per capita.
Não se trata de uma relação de causalidade, mas de associação natural. Uma relação biunívoca. Um ambiente mais seguro facilita o crescimento dos negócios, reduz custos sistêmicos para funcionamento e facilita a acessibilidade das pessoas às oportunidades de emprego e oportunidades de se desenvolverem. Pessoas ao se sentirem mais seguras tendem a produzir mais.
É por essa razão básica que o Espírito Santo, e aqui me refiro à governos, sociedade organizada, instituições públicas e privadas e setor produtivo, tem pautado a questão de segurança como fator estratégico para avançar no ser desenvolvimento econômico e social.
Recordo-me que na elaboração do ES 2025, plano de desenvolvimento que contou com o protagonismo conjunto do governo estadual e do ES em Ação, já colocava como eixo estratégico de ações a serem desenvolvidas a redução da criminalidade, que na época de sua elaboração o indicador de homicídios já atingira patamares acima de 50 por 100 mil habitantes. O Espírito Santo em 2009 chegou a registrar 58 homicídios por 100 mil habitantes. Apenas superado por Alagoas.
A mesma preocupação e ênfase foi dada nos planos subsequentes, o ES 2030 ao definir como programa prioritário a Segurança Cidadã. Da mesma forma o ES 500.
Ao atingirmos 796 homicídios por 100 mil habitantes agora podemos dizer que é um fato a comemorar. Atingimos a marca de 19 homicídios por 100 mil. Ainda acima da média nacional. Porém, com a percepção de que ao descermos no ranking da penúltima posição para talvez a décima sexta ainda teremos um grande desafio pela frente.
A que essa trajetória de bons resultados nos mostra é que não é tão simples obter resultados, mesmo com muito esforço, investimentos em pessoal, equipamentos e tecnologias. Significa, no entanto, que estamos no caminho certo. E é seguindo nesse caminho que o ES 500 anos, na sua Missão 3- Cuidado Integral propõe chegar em 2035 entre os 5 estados com menores taxas de homicídios por 100 mil habitantes, no entorno de 10. Certamente também colheremos melhores resultados para o ambiente de negócios, para o crescimento da economia e para a qualidade de vida da população capixaba.
*Orlando Caliman é economista e diretor econômico da Futura Inteligência





