Por Júlia Zerlotini*
Enfrentar desafios sociais e, ao mesmo tempo, gerar resultados financeiros é uma possibilidade cada vez mais concreta. Para transformar essa possibilidade em realidade, uma habilidade se torna essencial às novas lideranças: o poder de articulação.
Mais do que um modelo de empreendimento, os negócios de impacto propõem uma nova forma de compreender o papel das organizações no desenvolvimento social e econômico. Questões relacionadas à educação, à saúde, à sustentabilidade e ao acesso à tecnologia tornam-se pontos de partida para a criação de soluções relevantes, comprometidas com a transformação das pessoas e dos territórios.
A complexidade desses desafios exige a articulação entre empresas, governos, universidades, investidores, organizações da sociedade civil e comunidades. Cada setor reúne conhecimentos, recursos, experiências e capacidades que, quando conectados, fortalecem as iniciativas e ampliam seu potencial de transformação.
Essa articulação vai além da realização de encontros ou da ampliação das redes de relacionamento. Trata-se de construir ambientes de confiança nos quais diferentes perspectivas possam dialogar, os aprendizados circulem e as responsabilidades e o protagonismo sejam compartilhados. As conexões tornam-se, assim, parte da infraestrutura necessária para que os negócios de impacto sejam sustentáveis, consistentes e capazes de ampliar seu alcance.
É nesse contexto que a formação de jovens lideranças ganha ainda mais relevância. Os jovens que hoje ingressam no mercado de trabalho, no empreendedorismo e na vida pública atuarão diante de mudanças tecnológicas aceleradas, desafios sociais complexos e novas exigências ambientais. Para liderar nesse cenário, já não basta dominar conhecimentos técnicos. É preciso compreender sistemas, transitar entre diferentes setores, tomar decisões responsáveis e mobilizar pessoas em torno de objetivos comuns.
Formar jovens lideranças significa ampliar repertórios e proporcionar experiências concretas. Significa aproximá-las de redes, projetos, mentores, comunidades e espaços de decisão nos quais possam assumir responsabilidades, testar ideias e aprender a construir soluções de maneira colaborativa.
Os negócios de impacto são ambientes especialmente férteis para esse desenvolvimento. Ao conciliarem propósito e sustentabilidade financeira, colocam as novas gerações diante de questões fundamentais: como crescer sem perder a coerência? Como inovar sem aprofundar desigualdades? Como gerar valor econômico e social ao mesmo tempo? E, sobretudo, como reunir diferentes atores em torno de transformações que nenhum deles conseguiria realizar sozinho?
Ao conectar propósito, colaboração e desenvolvimento de lideranças, fortalecemos soluções capazes de responder aos desafios do presente e abrimos caminhos para um futuro mais justo e sustentável.
*Integrante do comitê de Formação de Lideranças do ES em Ação.




