X Fórum Capixaba de Energia: novas oportunidades discutidas em evento

Pense num mundo sem energia elétrica… A ideia de ambientes e pessoas iluminadas pela luz natural soa, em pleno 2018, com uma estranheza fora do normal. A Revolução Industrial associou o controle da energia com progresso, prosperidade e bem-estar. Em outras palavras, energia se tornou fator determinante no desenvolvimento da sociedade

No Espírito Santo, o assunto é debatido há anos no Fenergia – Fórum Capixaba de Energia. E em sua 10ª edição, nesta segunda-feira, 25 de junho, no Hotel Golden Tulip, em Vitória, o evento reuniu mais de 250 empresários, executivos, dirigentes de grandes empresas e de órgãos governamentais estaduais e federais, para debater projetos de investimentos em energia, oportunidades na era digital e marco da regulamentação, dentre outros temas.

O X Fenergia – Oportunidades de Investimentos em Energia foi aberto oficialmente pelo diretor de Gás e Energia da Agência de Regulação de Serviços Públicos (Arsp), Carlos Yoshio Motoki, que ressaltou a importância das reformas no setor elétrico e de gás para atrair mais investimentos. “São reformas importantes e fundamentais para dar segurança regulatória e jurídica para um ambiente favorável aos negócios nesses dois setores estratégicos, para o desenvolvimento do Espírito Santo e de nosso País”.

Na sequência, o secretário de Estado de Desenvolvimento, José Eduardo Azevedo, ressaltou a importância da retomada da agenda de investimentos do setor.

“A oferta de energia é fundamental para a economia e competitividade de nossas empresas. Foram realizadas ações importantes nos últimos anos para melhorar o ambiente de negócios e atrair investimentos nessa área e este fórum contribui para discutir os desafios e os próximos passos dessa agenda”, destacou, exaltando, ainda, a qualidade do evento. “Não foi à toa que ele chegou à décima edição”.

A etapa solene do Fenergia foi encerrada com um discurso do governador, Paulo Hartung. Ele destacou a importância de políticas sólidas para o setor energético do País e criticou algumas medidas adotadas pela União nos últimos anos, em especial neste setor, mas reconheceu avanços recentes.
“Tenho sido um crítico do governo, do passado e do atual, mas reconheço e valorizo todos os passos importantes que são dados em nosso País.

Evoluímos nos últimos tempos em relação ao marco regulatório do petróleo. Com medidas bem refletivas, observamos que a indústria do petróleo começa uma retomada, principalmente pelo resultado dos últimos leilões. Também valorizo o debate em torno de energia limpa e do gás. Acho que aqui podemos refletir sobre o presente e futuro deste importante setor que vem consertando o rumo do Brasil nos últimos tempos. Coisa rara neste País, que tem vivido momentos difíceis, de pouco debate, em que se prevalece o grito, o populismo”, analisou.

Governo federal e era digital

Na palestra “Perspectivas de Investimentos no Setor de Energia para o Espírito Santo”, o chefe da assessoria especial em Assuntos Regulatórios da Secretaria Executiva do Ministério de Minas e Energia, Igor Alexandre Walter, ressaltou a mudança de paradigma no segmento energético brasileiro e destacou a vocação do Espírito Santo na participação desse cenário. “Aqui há uma base sólida de petróleo e gás, e há sinergia entre esses dois setores”, disse.

Consultor na Diretoria de Redes Convergentes do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), Luiz Acácio Guimarães Rolim abordou “Novos Horizontes da Energia na Era Digital” e explicou como as novas energias (solar e eólica, por exemplo) e as novas tecnologias estão sendo exploradas e aplicadas dentro do setor energético. As redes inteligentes (smart grids), a mobilidade elétrica (com os carros elétricos) e as aplicações do blockchain, big data e analytics foram algumas tecnologias que ele destacou em sua apresentação.

Desafios

O gerente de Produção de Energia da ArcelorMittal Tubarão, Fabrício Victor Assis, destacou os números da maior produtora de aço do mundo, com atuação em mais de 60 países, e que possui uma potência instalada de geração em Tubarão de 500 MW. “Temos uma política energética com um plano diretor e metas revisadas. Somos um grande consumidor de energia, assim como produtor e fornecedor do mercado”, disse.

Assis reforçou ainda que a base da matriz energética da ArcelorMittal Tubarão é o carvão mineral, que representa 99% da energia consumida. O gerente enumerou ainda uma série de projetos a serem desenvolvidos pela empresa no que tange à geração energética, com projetos já concebidos, como a central termelétrica 7, duas turbinas de topo, uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH), com capacidade de 1.4 MW; e um processo de apagamento a seco de coque.

Já o coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás da Findes, Durval Vieira de Freitas, explicou o papel da entidade no mercado do Espírito Santo e falou das projeções e oportunidades no setor no Estado, segundo maior produtor de petróleo do país com quase 400 mil barris por dia.

Moderador do painel, o presidente do Sindicato das Indústrias de Geração, Distribuição e Transmissão de Energia do Estado (Sinerges), Fabrício Cardoso Freitas, ressaltou sobre a importância da regulação do gás para desenvolvimento e atração de novos projetos para o Espírito Santo. “Dentro do Coinfra, na Findes, estamos discutindo a fundo a questão do preço da molécula e da nossa malha, assim como buscando alternativas, como terminais de regaseificação. Atualmente há um contrassenso, somos um estado produtor e dependente de importar a energia”, reforçou.

Novo marco regulatório

O primeiro painel da tarde do X Fenergia tratou sobre o novo marco regulatório do setor elétrico. O moderador Ernesto Mosaner Junior, conselheiro do Conselho Temático de Infraestrutura da Findes, contextualizou sobre o Novo Marco Regulatório, projeto apresentado em 2017 e que está em processo de consultas públicas (32 e 33/2017).

“O modelo vigente tem apresentado sinais de esgotamento, com problemas como a crise hídrica, despachos das térmicas e atrasos na construção de empreendimentos. Como efeito, temos o aumento das tarifas pagas pelo consumidor e o consequente descontentamento com o modelo atual. Alguns pontos do novo marco abrangem ajustes legais, redução de custos, novas diretrizes para fixação de tarifas e redução dos limites”, enumerou.

Conselheiro do Conselho Nacional de Política Energética, Plinio Mário Nastari falou que o marco está sendo construído através de alguns pressupostos como diálogo, reconhecimento da evolução tecnológica e os fatores socioambientais, resultando em mais eficiência e menos tarifa. “Temos necessidades como respeito aos contratos e a necessidade de observar os interesses sistêmicos. Não é apenas uma solução com custo baixo, mas com o máximo de segurança”. No último dia 12, houve uma audiência pública para discutir o projeto, com apoio dos debatedores e participantes. A expectativa é que até o ano que vem esteja aprovado.

Já Michel Itkes, que diretor vice-presidente de Redes da EDP, abordou sobre o lado do mercado e da empresa em relação ao novo marco. “O cliente está cada vez mais engajado e exigindo mais. As tecnologias estão avançando e temos necessidade de salvar o planeta e investir em questões ambientais. Diante de tudo isso, as reformas são inevitáveis e irão acontecer, mas precisamos de ajuda para formular uma regulação que atenda aos interesses de todos os envolvidos e não prejudique ninguém”. A EDP fez uma contribuição de mais de 500 páginas com a regulação, ressaltando pontos como abertura de mercado, tarifas horárias e locacionais.

O papel da Petrobras Distribuidora na construção do ambiente de negócios no setor energético brasileiro foi o tema da palestra feito por Klaus Nolte, gerente executivo de marketing da empresa. “A geração distribuída é o futuro da energia: as pessoas vão gerar a própria energia. E isso já é uma realidade, já que o preço da energia solar caiu 250 vezes nos últimos 40 anos”.

A empresa já está investindo em uma plataforma de negócios na internet, com comercialização de energia, geração distribuída e projetos de eficiência energética. Além disso, a BR vai passar a ter ativos de geração de energia e venda de equipamentos e instalação.

Mais de R$ 6,5 milhões em projetosw

O último painel do evento debateu as oportunidades de negócios e soluções energéticas para micro e pequenos empreendimentos. O diretor de Crédito e Fomento do Bandes, Everaldo Colodetti, ressaltou que de 2015 até hoje o banco já aplicou R$ 6,5 milhões em 14 projetos de energia em todo o Estado.

Carlos Jardim Sena, diretor da ES Solar e vice-presidente da Sinerges, fez um panorama energético e ressaltou que estamos postergando um problema estrutural, já que o nível de armazenamento do atual sistema energético do país cai ano a ano. Ele também defendeu o investimento em geração própria de energia. “Temos que ser o vetor da solução da nossa própria geração”, ao ressaltar as alternativas fotovoltaicas, que podem ser em sistemas individuais ou coletivos.

E Rael Colpo Mairesse, um dos sócios executivos da empresa Luming Inteligência Energética, falou dos sistemas de geração e cogeração de energia através do uso de gás natural, que já são realidade nas grandes indústrias do País, e agora também estão disponíveis para condomínios, shoppings, hospitais, motéis, hotéis e empresas de pequeno e médio porte.

Com três projetos já em funcionamento em Porto Alegre, a empresa promete redução de 40 a 60% do consumo energético, de acordo com o perfil do cliente e do tipo de implantação. O equipamento utilizado é uma microturbina, que roda 24h por dia e só precisa parar por 6h no ano para manutenção. “A redução de custos e investimentos é um grande atrativo para as empresas, mas o sistema também possibilita ganhos ambientais e aumento da qualidade energética, já que os riscos de ficar de refém de um apagão energético diminuem”, pontua.

Para finalizar, Leonardo Sbordoni, consultor da EDP Grid, trouxe alternativas em projetos com energia fotovoltaica como solução, por ser uma fonte econômica, limpa, com vida útil de 25 anos, customizada e que pode valorizar o imóvel. A economia em empreendimentos de baixa tensão é de até 40%.

Todo o valor arrecadado com as inscrições, mais de R$ 3 mil, foi doado à Associação Feminina de Educação e Combate ao Câncer (Afecc).

O Fenergia foi uma realização da Multieventos, teve patrocínio da EDP, Linhares Geração e Tevisa – Termelétrica Viana, apoio institucional do Espírito Santo em Ação, Findes, ARSP – Agência de Regulação de Serviços Públicos e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento (Sedes), apoio da ArcelorMittal e Sebrae, colaboração do Bandes, Banco do Nordeste, Sicoob e CDMEC, consultoria técnica da Futura, transporte executivo do V1. Os certificados aos participantes serão disponibilizados no site do evento, clique aqui.

Confira os principais momentos:

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