Politize! anuncia formação para jovens e para novas lideranças públicas

Diego Calegari, fundador do Politize!, a maior plataforma de conteúdo educativo político do Brasil, esteve em Vitória na última semana para apresentar ao ES em Ação e a outros parceiros locais, dois novos programas da ONG voltados para jovens do Ensino Médio e para formação de lideranças públicas.  A missão do Politize! é justamente esta: formar uma nova geração de cidadãos conscientes e comprometidos com a democracia.  Nesta entrevista, Diego Calegari, explica como trabalha o Politize!, os principais desafios e o que pode ser feito aqui no Espírito Santo.  Vale conhecer.

O Politize! foi criado quando e com qual propósito?

O Politize! foi criado em janeiro de 2015 como organização sem fins lucrativos, após um ano de preparação.  O objetivo é formar cidadãos conscientes e comprometidos com a democracia. A gente entende que o Brasil sofre com um enorme déficit de cultura democrática de participação política e a educação é uma das formas de diminuir e ajudar a tornar o país uma democracia saudável e plena.

O conteúdo do site é muito acessado. O que é feito além do site?

Ótima pergunta. Nós começamos com aquilo que a gente considerava que iria atingir mais gente no prazo mais curto, que era criar e difundir conteúdo pela internet. É por isso que o Politize! hoje é o maior canal de comunicação educativa sobre política do Brasil e um dos maiores do mundo. São 3 milhões de acessos ao conteúdo por mês, e ao longo de cinco anos, um em cada sete brasileiros já acessou a nossa plataforma. São 30 milhões de usuários únicos no site.  Então, tem o lado de levar um conteúdo educativo de forma fácil e acessível a qualquer pessoa. A partir daí, entendendo que a internet não era suficiente, criamos a rede de embaixadores com pessoas que a gente formou. Foi a forma de levar oficinas de educação política até à ponta. Temos embaixadores em todo o Brasil que levam oficinas para escolas, comunidades, empresas e a quem interessar, com o papel de pulverizar este trabalho também presencialmente. Eles promovem o que não é possível fazer via internet – diálogos, construções colaborativas, elaboração de projetos e outros.

E aqui no Espírito Santo, temos muitos embaixadores?

Temos vários e temos uma Embaixada, que é o núcleo organizado em função do trabalho desenvolvido em parceria com o movimento empresarial ES em Ação, que nos ajudou e foi parceiro desde 2018 para consolidar nosso trabalho aqui.

 

 

E o que está sendo discutido agora? O que vem de novo?

O que estamos discutindo e evoluindo é como causar ainda mais impactos e de maneira um pouco mais profunda.  A gente entendeu que temos também um papel a cumprir na formação de lideranças públicas. Têm muitos jovens com vocação pública que poderiam estar fazendo a diferença e não sabem como dar o primeiro passo, sair da inércia. Eles não veem oportunidade de buscar exercer a cidadania de forma mais ativa, seja resolvendo um problema na comunidade deles ou influenciando.  Então, o trabalho agora tem dois focos estratégicos: um é entrar numa jornada de formação e cidadania ativa nas escolas de Ensino Médio aproveitando muito as reformas que foram feitas no currículo, que colocam a cidadania como umas das prioridades, e criam um espaço na grade curricular para temas que escolham, não mais nas matérias tradicionais.  Vamos oferecer uma trilha de cidadania ativa para o Ensino Médio.

São vocês que treinam?

A gente forma os professores e entrega o material didático com uma metodologia já testada e validada, que leva para as instituições uma solução para que elas possam assumir a responsabilidade.

Já tem em algum lugar?

Já fizemos um piloto, já testamos em algumas escolas, mas agora que realmente a gente está fazendo isso como programa em parcerias com secretarias de educação para ganhar escala. Estamos dialogando e apresentando este programa aqui para o Espírito Santo. A segunda proposta envolve a rede de embaixadores entendendo que muitos deles querem ser líderes públicos. Eles querem só fazer oficinas de participação política. Querem atuar e querem dar o próximo passo. Nosso trabalho vai ser fazer uma formação em liderança pública para que as pessoas talvez, lá na frente, virem candidatos, gestores públicos, ativista ou uma pessoa comum. Aí sim, fazer com que elas possam entender como podem ter uma incidência direta.  É um programa de liderança cidadã. A lógica é que para aqueles que tem vocação pública, a gente possa servir como funil para irmos alimentando o Brasil com novas lideranças públicas e que, lá no futuro, possam vir a ser candidatar, se eleger ou simplesmente exercer um papel de liderança cidadã.

Quantos embaixadores tem no Brasil?

Temos 268 ativos de quase 400 formados. Como é um trabalho voluntário, alguns se engajam e outros acabam desistindo, o que é natural. Eles estão espalhados por 120 cidades, em 24 estados e no Distrito Federal. Em um ano e meio, esta galera já formou mais de 40 mil pessoas em oficinas presenciais.  Temos uma escala muito legal de pessoas impactadas e entendemos que podemos chegar muito mais longe. Por isso, o objetivo de mudar um pouquinho a cara do programa para também atacar todos os lados. De conteúdos publicados no site Politize!, já  foram disponibilizados mais de 2 mil.

Ao final, o que te deixaria satisfeito com este trabalho do Politize!?

O que nos deixaria muito satisfeitos, vamos lá, vou tentar enumerar duas ou três principais coisas… A primeira delas e a mais importante é que o cidadão comum tenha o mínimo de conhecimentos necessários para tomar as decisões mais básicas em relação à cidadania dele, então, a decisão do voto, o que ele vai colocar nas redes sociais, a decisão do como ele vai falar com quem pensa diferente dele. São coisas do nosso dia a dia que exigem uma certa preparação. As pessoas hoje estão se separando de seus familiares por discussões políticas. Elas estão sendo contaminadas por ambientes super tóxicos em redes sociais com discursos de ódio, de marcação. As pessoas precisam de certa maneira de dominar o básico para poderem viver bem, fazerem o bem ao seu redor enquanto cidadãos com atitudes mínimas básicas numa democracia.

O segundo ponto, a partir do trabalho nas escolas, é mostrar pro jovem adolescente que ele pode fazer a diferença. Mostrar que ele tem muito mais poder, ou capacidade, do que ele imagina para mudar a sua realidade. Isto a gente já testou e já viu várias iniciativas de jovens que conseguiram mudar sua realidade. Isso influencia muito positivamente a vida deles porque eles não só vão deixar pra trás um legado, mas vão passar a vida inteira entendendo que eles podem mudar a realidade que vivem. Isso é importante porque muitos de nossos jovens que estão ingressando no Ensino Médio já estão desistindo da vida, dizendo que não vão ser nada e indo para o tráfico de drogas sem nenhuma perspectiva.

A terceira coisa é que a gente quer olhar lá na frente  daqui a 20 , 30 anos e ver quer  muitos dos principais líderes públicos brasileiros passaram  pelo nosso programa de formação, que a gente possa no Executivo, Legislativo,  na sociedade civil, ter grandes lideranças que lá trás, quando eram jovens, tiveram a oportunidade de passar por nossa formação e isso fez toda a diferença para elas. Este é nosso grande resultado.

Para finalizar, como uma pessoa pode participar de alguns destes programas?  

O primeiro passo que é o mais fácil é entrar no nosso site politize.com.br e se cadastrar  na nossa newsletter que todas estas oportunidades são divulgadas por lá. O segundo é nos seguir nas redes sociais. Nos comunicamos diariamente com as pessoas e vamos informando o que está acontecendo. Outro passo é procurar os embaixadores mais próximos de você. Eles estão espalhados por vários lugares e lá no nosso site você pode ver quem são e se tem algum na sua cidade ou próximo. E vale conhecer também a nossa rede de parceiros de capilarização. Aqui no Estado, o movimento ES em Ação é um grande parceiro para implementação destes programas. A Embaixada do Politize! foi incubada no ES em Ação para que possamos ter este trabalho do Estado e ser uma grande referência em formação de cidadãos e de lideranças públicas no país.

 

Alguns dados do Politize!

·         7 países deixaram de ser democráticos desde o ano de 2000

·         90% dos brasileiros acredita que o país é governado em benefício de um pequeno grupo (pior resultado na América Latina)

·         Apenas 9% dos brasileiros estão satisfeitos com a democracia (pior resultado na América Latina)

·         41% dos brasileiros acredita que tanto faz viver ou não em uma democracia (2º pior resultado na América Latina)

·         25% dos brasileiros deixaram de acreditar que a democracia é o melhor sistema de governo em apenas 5 anos

 

(Autor: Luciane Ventura)