Paulo Pandolfi: “Colab encurtando a distância entre poder público e a população”

Engajamento cidadão, gestão colaborativa, cidadão participativo e governo aberto. Essas são, na visão do publicitário Paulo Pandolfi, as palavras que formam a base do Colab, o aplicativo desenvolvido em Recife (PE) no ano de 2013 com a missão de encurtar a distância entre o poder público e a população, e fazer com que o cidadão colabore de forma efetiva na gestão.

A ferramenta permite que o cidadão registre reclamações, como uma calçada irregular, buracos ou fiações expostas, e opinem sobre sua cidade. E essas demandas chegam até o governo, que por meio da plataforma gerencia e executa as pendências apresentadas pela população. Também por meio do Colab, o governo consegue realizar consultas para o cidadão.

Pandolfi é um dos fundadores do projeto, que pode vencer um dos grandes desafios da gestão pública, principalmente no mundo atual, em que se fala tanto de ambiente colaborativo, de participação e envolvimento de todos com a transparência. E falou sobre um pouco mais sobre a plataforma com a equipe do Espírito Santo em Ação.

 

Pandolfi, como surgiu a ideia do aplicativo e como ele funciona?

PAULO PANDOLFI – O Colab surgiu através da experiência que tivemos de 2008 a 2012 na realização de campanhas políticas digitais. No monitoramento, percebemos um grande volume de cidadãos querendo participar da melhoria das cidades, mas com uma grande dificuldade de conexão com os governos. O Colab, então, surge para resolver esse problema.

 

Quais são as demandas mais registradas no Colab?

As top 5 demandas no Brasil são buracos em vias, estacionamento irregular, calçada irregular, poda de árvore e esgoto a céu aberto.

 

O Colab já está em todo Brasil. Mas existem cidades onde a interação da população seja maior?

De fato, estamos em todo o Brasil, com usuários em milhares de cidades espalhadas por todos os estados. Mas posso citar como as principais cidades Niterói, Campinas, Santos, Recife, Teresina, Maceió, Aracaju, Santo André, Pelotas.

 

Numa recente vinda a Vitória, para participar do painel “Gestão Colaborativa: Governo e Sociedade”, evento promovido pelo Espírito Santo em Ação, você citou a seguinte frase: “Acreditamos que cidadãos engajados e governos transparentes e participativos trabalhando em colaboração são a chave para a criação de cidades melhores para as pessoas”. Acha que o cidadão está, de fato, preparado para uma gestão colaborativa?

Acho que ele está passando por um processo de transição, deixando de ser um cidadão inativo para se tornar um cidadão participativo, entendendo a importância do seu papel na melhoria das cidades. Claro que essa transição não acontece do dia para a noite, mas com os governos abertos e estimulando a participação do cidadão, essa transição tende a acontecer com uma velocidade cada vez maior.

 

Paulo, se tivesse que eleger o grande desafio do app atualmente, qual seria?

O engajamento do cidadão.

 

Na sua opinião, de que forma a iniciativa privada pode ajudar o poder público?

A inciativa privada tem um papel fundamental no ecossistema de cidades sustentáveis e colaborativas, não somente através do fomento para viabilizar projetos que causem impacto na sociedade, mas também entendendo muito bem a importância do seu papel nos eixos de responsabilidade social e sustentabilidade. Empresas com uma cultura responsável ajudam o poder público a construir melhores cidades.