O Estado está muito bem posicionado. Mas é preciso ser mais enfático em algumas áreas

Finanças equilibradas. Inovação em educação. Melhorias estruturais. O Espírito Santo vem avançando nos últimos anos e se destacando no cenário nacional. E para que o Estado se fortaleça ainda mais, a Diretoria de Competitividade do Espírito Santo em Ação aponta caminhos que podem ser desbravados para facilitar a atração de novos investimentos, como o incentivo ao uso de energias renováveis, a melhoria da infraestrutura logística, a agregação de valor às commodities agrícolas e a adoção de práticas inovadoras.

“O Estado está muito bem posicionado para 2019. As bases estão prontas. O que precisa é ter continuidade e ser mais enfático em algumas áreas”, destaca o diretor de Competitividade do Espírito Santo em Ação, Nailson Dalla Bernadina.

Em mais uma entrevista da série com gestores do movimento empresarial, Nailson aborda essas e outras pautas que vêm sendo trabalhadas ou necessitam avançar no Espírito Santo, e também cita o clima de otimismo no meio empresarial para 2019.

Que ação o senhor aponta como destaque no ano na Diretoria de Competitividade?

Desde 2017, estamos discutindo, dentro da Diretoria de Competitividade, a pauta de energias renováveis. E culminou com a adesão do Espírito Santo ao termo do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), que prevê a isenção de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) em micro e minigeração distribuída de energia solar, eólica, hídrica e de biomassa. Depois que a nova legislação foi aprovada na Assembleia Legislativa e homologada em fevereiro de 2018, continuamos as discussões ao longo do ano, mantendo diálogo com o governo. Podemos citar como destaque também a finalização do ciclo Compete Gestão, com o Prêmio Qualidade Espírito Santo, que valoriza a boa gestão na iniciativa pública e privada.

Como o Espírito Santo pode avançar no uso de energias renováveis?

Temos de comunicar melhor à iniciativa pública que a redução de ICMS não é um benefício. O que os outros estados estão fazendo são políticas de incentivo, adiantando investimentos e, consequentemente, melhorando a geração de empregos e a atividade nessa cadeia produtiva das energias renováveis. Há uma grande necessidade de fazermos estudos nessa área e apresentarmos ao governo para deixar claro que não se trata de renúncia fiscal. É investir em uma macro tendência mundial. As energias renováveis vieram para ficar. Já são importantes em muitos locais e serão ainda mais no futuro.

E de que forma isso pode ajudar o Estado?

A política de incentivo ao uso de energias renováveis será muito benéfica para o Espírito Santo, possibilitando a atração de investimentos e uma melhor distribuição da geração dentro do Estado. Precisamos destravar os incentivos para ficarmos em igualdade de condições com os demais estados para que os investidores – inclusive os capixabas – possam olhar para o Espírito Santo. Essa articulação tem de acontecer de forma permanente.

Além de investir em energias renováveis, para ser competitivo é preciso buscar também a inovação. Como está o Espírito Santo nesse contexto?

Estamos percebendo um movimento muito conciso, no Espírito Santo, de mobilização pela inovação, que culminou no Funcitec (Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia), onde o Espírito Santo em Ação possui uma cadeira, representado pelo nosso presidente (Luiz Wagner Chieppe). Dentro do Funcitec, estamos à frente de dois grupos de trabalho: de logística e de gestão pública. Nesses grupos, procuramos contribuir para resolver algumas dores do setor público, facilitando a interlocução com toda a sociedade.

De que forma?

A tecnologia pode ajudar muito na relação com a sociedade em geral, principalmente no setor público, em que se pode reduzir a burocracia e melhorar a agilidade nos trâmites. Inclusive oferecendo mais comodidade ao contribuinte, que poderá dispor de ferramentas tecnológicas para fazer requerimentos de modo online. Tudo de forma mais rápida, da própria casa.

O que espera para 2019?

É um ano de muita expectativa. Passadas as eleições, a pauta que está posta é capaz de favorecer o ambiente de negócios e a competitividade, porque tem como premissa deixar o Estado mais leve e o empreendedor mais livre para fazer seus movimentos. Estou deixando de ser esperançoso para ficar mais otimista em relação ao que vai acontecer. Esse otimismo já vai fazer muitas empresas tirarem projetos do papel e passarem para a execução. Muitos empresários já estão fazendo esse movimento. Por isso, há uma tendência de 2019 começar com investimentos, geração de empregos e melhoria no ambiente de negócios.

E dentro da Diretoria de Competitividade do Espírito Santo em Ação, como estão os planos e metas traçados para 2019?

Dentro da realidade capixaba, na pauta da Diretoria de Competitividade estamos olhando muito para o agronegócio. Queremos contribuir em projetos para que o Estado seja mais competitivo nesse setor. Percebemos que há um gap entre a produção primária e a agregação de valor. O Espírito Santo agrega pouco valor às suas commodities, inclusive as agrícolas. Outra questão em que é possível avançar é na melhoria da infraestrutura logística, como rodovias e ferrovias, para que as produções possam ser escoadas com menor custo, aumentando, assim, também a competitividade.  Temos de destacar que o Espírito Santo, dentre todas as unidades da federação, é aquela que se encontra mais bem posicionada em termos de equilíbrio fiscal e também na área de Educação, sendo reconhecida pelos avanços. O Estado está muito bem posicionado para 2019. Isso é o que reforça o otimismo de termos um ano mais produtivo. As bases estão prontas, o que precisa é ter continuidade e ser mais enfático em algumas áreas, sobretudo em relação à logística. Precisamos resolver alguns gargalos e começar a executar as obras necessárias.