O Brasil que eu faço: ideias e discussões por um futuro melhor

Que o Brasil precisa melhorar, isso é consenso geral. Mas que tal se essa mudança começasse por cada um de nós? Com a temática “O Brasil que eu faço”, o 6º Fórum Liberdade e Democracia reuniu autoridades, executivos, empresários, empreendedores, estudantes, entre outros agentes da sociedade civil, que puderam acompanhar painéis, talk shows e keynotes que trataram da importância de o indivíduo ter mais autonomia em relação ao Estado e da necessidade de empreender para fazer o País retomar o caminho do crescimento econômico.

Realizado pelo Instituto Líderes do Amanhã, nos dias 5 e 6 de novembro, na Arena Shopping Vitória, o Fórum também debateu temas polêmicos e inovadores abordados por reconhecidos profissionais das mais diversas áreas. Discussões que tiveram sua relevância destacada pelo governador do Estado, Paulo Hartung, logo no Talk Show de abertura: “Lições e Experiências na Gestão Pública”.

“No Brasil de hoje, pior do que o déficit fiscal e a corrupção, é o déficit de lideranças, de pessoas com cabeça bem formada, sem dogmatismo”, disse o governador. “É preciso formar gente qualificada, capaz de entender que o Estado não pode tudo. E que conheça suas limitações. Porque ser um líder é ter a consciência de que não sabe tudo e, por isso, precisa de uma equipe ao seu lado”.

Formação que passa pela escola, por meio de uma “Educação para a autonomia do indivíduo”, tema do painel que reuniu Claudia Costin (professora do Mestrado em Educação na Universidade de Harvard e diretora do Centro de Excelência Inovação em Políticas Educacionais da FGV), Marcelo Lema (diretor da Escola em Tempo Integral Pastor Oliveira de Araújo) e Milene Rodrigues (aluna da Escola em Tempo Integral Getunildo Pimentel, na Serra).

“A educação não pode ser para a vida ou para o mercado, mas para as duas coisas. É preciso desenvolver o protagonismo dos jovens, para que eles saibam o que é relevante para a vida em sociedade e para o empreendedorismo”, ensina Claudia Costin.

Lição que Milene Rodrigues já vem assimilando durante as 9h30 de aulas diárias na Escola em Tempo Integral, que tem como uma de suas metas ajudar o estudante a desenvolver o seu projeto de vida: “O jovem protagonista não espera pelas atitudes alheias. Ele toma suas próprias decisões”, destaca Milene. “Na Escola Viva, estou aprendendo a fazer as escolhas certas para o meu futuro. E sei que a minha voz é capaz de mudar a minha realidade”.

Para mudar a própria realidade, por vezes, é preciso pensar “fora da caixinha”. Exemplos disso não faltaram no painel “Empreendedor, vetor de prosperidade”, que contou com as presenças de Pedro Sorrentino (cofundador e sócio-gerente da ONEVC), Victor Farias (fundador e CEO do Pag!, fintech que faz parte do grupo Avista) e Lucas Momm (co-fundador da Mindminers, empresa de soluções digitais em pesquisas).

O trio ressaltou a necessidade de ser disruptivo no momento de empreender, como fez Victor Farias ao criar o PAG!, que tem como principal produto um cartão de crédito digital. “Para empreender, é preciso criar algo acessível, que resolva um problema da sociedade, para o maior número possível de pessoas. Em tempos digitais, isso deve ser feito em uma plataforma que tenha custo baixo”, ressalta.

Mesmo caminho seguido por Tallis Gomes, que contou sua história de empreendedorismo e protagonismo como fundador das plataformas EasyTaxi (aplicativo para solicitação de táxis disponível em 30 países) e Singu (empresa que presta serviços de beleza em domicílio). “A inovação nasce do caos, da tentativa e erro. Precisamos ser tolerantes com o erro, mas sem deixar de aprender com ele”, orienta Tallis. “Nos nossos negócios, sempre pensamos em dar autonomia para as pessoas. Porque todo mundo pode cavar a própria sorte, desde que não espere nada de ninguém”.

A discussão sobre o momento político do Brasil também foi tema do Fórum. Um dos painéis que abordou a questão foi “Recém-Chegados ao Congresso. O que Esperar?”, com os deputados federais recém-eleitos Felipe Rigoni (ES), Tiago Mitraud (RS) e Marcelo Van Hatten (RS). Os três destacaram a necessidade de adoção de novas práticas no exercício da vida pública em Brasília. “É preciso diminuir a distância entre a política e a população”, frisou Mitraud. “O desafio será fazermos algo diferente e sermos ponte entre os vários setores da política brasileira”, reforçou Rigoni. “A mudança que esperamos dos outros precisa começar por nós mesmos”, completou Van Hatten.

No painel “Mercado, política e sociedade”, Julio Pompeu (professor da Ufes, especialista em Ética e Direitos Humanos), Eduardo Mufarej (sócio da Tarpon Investimentos e fundador da RenovaBR) e Karel Luketic (sócio e analista-chefe da XP Investimentos) falaram sobre a confiança numa recuperação socioeconômico do País, mas sem depositar todas as fichas na figura de um “salvador da pátria”. “Quem salva a sociedade não é nenhum mito. É ela mesma. É preciso ter responsabilidade e pensar nas consequências das suas ações, para assim recuperarmos a confiança uns nos outros e, consequentemente, a confiança no País”, comentou Pompeu.

Foi pensando nisso que Mufarej assumiu o desafio de remodelar a política do Brasil por meio da RenovaBR, que surgiu com o compromisso de formar novas lideranças políticas no País. Dos 120 candidatos preparados pela iniciativa, 10 conseguiram se eleger deputados federais e 6 se tornaram deputados estaduais. “Quebramos um círculo vicioso e conseguimos ter gente nova na política. Pessoas que entraram pelos seus próprios méritos”, disse.

O evento ainda contou com homenagens a duas personalidades de destaque na sociedade brasileira. O Prêmio Liberdade foi entregue ao professor Roberto Rachewsky, por sua atuação ativa na defesa dos ideais como fundador e conselheiros do Instituto Atlantos. Já Ada Motta recebeu o Prêmio Liberdade Empresarial por sua representatividade como empreendedora no papel de fundadora e CEO da Adco Cosméticos.

WhatsApp Image 2018-11-06 at 16.58.54
<
>