Líderes do Amanhã investe em formação para acompanhar mudanças no mundo

Em 1965, o engenheiro Gordon Moore previu, de forma ousada, o crescimento exponencial de poder dos computadores. A “profecia” estabelecia que a densidade dos transistores nos chips usados pelas máquinas dobraria a cada 18 meses. Com o passar dos anos, a projeção do cofundador da Intel mostrou-se fiel à realidade, a ponto de ganhar o nome de “Lei de Moore” e se tornar uma metáfora do próprio mundo, em que tudo está mudando em ritmo exponencial.

Acompanhar essa transformação acelerada também é um desafio para as novas lideranças empresariais. É o que observa o presidente do Instituto Líderes do Amanhã, Hélio João Pepe de Moraes. Para ele, quem pretende estar à frente ou em posição de destaque dentro de empresas precisa ter um gama de conhecimentos muita mais ampla, que vai além das técnicas de gestão.

“Os novos líderes têm de estar muito preocupados com aquilo que ainda não conhecem. Assim, poderão gerar novos negócios, desenvolver ambiente de tecnologia e de inteligência artificial”, aponta Pepe de Moraes.

Nessa entrevista que encerra a série sobre os institutos de formação no Estado, Pepe de Moraes falou, ao Espírito Santo em Ação, sobre como o Líderes do Amanhã busca desenvolver novos gestores no Estado e como se tornou referência para outros grupos que estão surgindo em municípios do interior.

 

Como analisa o cenário de lideranças no Estado?

PEPE DE MORAES – Quando penso em lideranças empresariais, não sinto que haja um vazio no Estado. Temos boas lideranças ativas nas empresas, seja na presidência ou em conselhos. A grande questão é que o mundo está diferente da época em que emergiram essas lideranças às quais me refiro. À próxima geração, não bastará repetir o modelo que funcionou para esses líderes. Será preciso ter uma visão holística, mais completa, que vá além das técnicas de gestão. Em resumo, quando olho para o cenário atual, vejo que há líderes admiráveis. Mas, quando olho um pouco para a frente, vejo que é preciso trabalhar as lideranças com mais conhecimento.

E como o Líderes do Amanhã atua nesse cenário em mutação?

Nosso conceito de formação de liderança passa por desenvolver essa visão holística da qual falei. Isso pode ser visto nos nossos eixos de trabalho, em que, além da gestão, trabalhamos economia, política, filosofia e ética. E também nas nossas atividades, em que trabalhamos leitura de livros, debates, júri simulado, palestras e visitas técnicas para conhecer as empresas em operação. São pontos pelos quais, talvez, a educação formal não passe.

Os novos líderes precisam, então, ter um nível de conhecimento bem amplo.

A Lei de Moore já estabelecia que tudo mudaria de forma exponencial no mundo. Esse é o entendimento que temos hoje. Nessa mudança de geração, os novos líderes têm de estar muito preocupados com aquilo que ainda não conhecem. Assim, poderão gerar novos negócios, desenvolver ambiente de tecnologia e de inteligência artificial.

Como o Líderes avançou e quais resultados alcançou nesses quase dez anos de existência?

Em 2011, o Líderes teve início com 10 integrantes. Temos hoje 40 pessoas já formadas e mais 70 associados em formação. Vemos um progresso grande em termos de engajamento. Estivemos, recentemente, na ArcelorMittal e vimos que lá, entre os funcionários que passaram pelo Líderes, todos hoje são gerentes ou gerentes gerais. Ou seja, cuidam de 200, 500 e até 1.000 pessoas. Também há líderes que estão à frente de startups de sucesso.

Quais são os desafios a serem enfrentados no Espírito Santo, especificamente?

O Espírito Santo precisa se reinventar em multiplicidade de áreas de atuação. Por muito tempo, a mineração, a siderurgia e a celulose foram dominantes aqui. Nos últimos 40 anos, vimos o desenvolvimento dos setores de rochas e de serviços. Mas é preciso avançar na complexidade econômica. E essa questão está conectada a haver menos Estado.

De que maneira o Estado ainda atrapalha?

A iniciativa privada é por natureza criativa, mas precisa de espaço. A criatividade não se desenvolve dentro de quadrados ou espaços pré-definidos. As pessoas se mostram capazes de trazer mais soluções e desenvolvimento para a sociedade quando há menos regulação. Vemos os exemplos de iniciativas capixabas interessantíssimas, como Zaitt, Shipp e PicPay. São empresas que aproveitaram locais onde o Estado não regulava nem intervinha tanto e conseguiram entregar tecnologia e inovação para a sociedade. Não digo que o Estado como um todo está falido. O Estado ainda é muito importante em segurança jurídica, leis, garantia de contrato, Judiciário, assim como podemos discutir sua participação em saúde e educação. Mas o modelo de atuação estatal precisa ser revisto.

Qual é a importância do surgimento de novos institutos de formação de liderança no interior?

Temos associados que vêm de Iúna, de Iconha, mas a nossa capilaridade não é tão grande. Nosso grupo fica mais concentrado na Grande Vitória e precisa de atenção especial. Quando surge algo em Cachoeiro, Linhares, São Mateus, Colatina e Aracruz – que é a nossa referência de projeto mais bem estruturado no interior -, ficamos orgulhosos e satisfeitos. Não somos mais a única andorinha a voar. Novas estão aparecendo. É uma janela de oportunidade muito boa, que precisa ser entendida pelos jovens empresários, para que participem e possam se desenvolver nesses institutos.

De que forma o Líderes tenta cooperar com esses novos institutos?

O Líderes tem participação por meio de seus honorários, que passam dicas, orientações e fazem acompanhamento com esses institutos. Tudo com a esperança de que tenhamos vários líderes no interior. Entendo que, no primeiro momento, a referência deles seja o Líderes. Mas eles podem ir além. Tentar até nos superar, para que também sejamos desafiados, em uma competição saudável para, na verdade, chegarmos ao mesmo lugar.

 

Leia também as entrevistas com os outros institutos

Novos líderes buscam desenvolver ações em Colatina e região

Jovens Líderes assume missão de ser agente de mudanças no Norte

Aliança para ajudar a formar jovens lideranças em Linhares

Jovens assumem responsabilidade para liderar mudanças na Região Sul