Inovação na gestão pública une empresas e governo

No admirável mundo novo das startups, modelos de negócios surgem a cada dia, boa parte deles voltados à iniciativa privada. Mas já há um movimento voltado a melhorar a eficiência do poder público. Empresas de base tecnológica estão gerando soluções inovadoras para órgãos da administração municipal, estadual e federal, aprimorando o funcionamento da máquina estatal e proporcionando ganhos à sociedade.

Esse foi o tema central do workshop “Inovação na Gestão Pública: conectando startups e governo”, realizado na quinta-feira (dia 16), no auditório do Espírito Santo em Ação, em Vitória. O evento teve a participação de Guilherme Dominguez, que falou sobre sua experiência como diretor do BrazilLAB, organização paulista criada com o intuito de conectar empreendedores de base tecnológica com o poder público.

“O BrazilLAB é um hub de inovação. Mas o que é um hub? O hub é um conector. A gente gosta de conectar os empreendedores que estão querendo criar soluções tecnológicas com os governos que estão abertos à transformação digital e à inovação”, destacou Dominguez.

O diretor do BrazilLAB lembrou que há estudos que apontam que a tecnologia voltada para o governo pode atingir US$ 400 bilhões até 2025, no mercado mundial. Além disso, é capaz de provocar um acréscimo de 5,7% no PIB (Produto Interno Bruto) e uma redução de até 97% de custos com a digitalização de serviços públicos.

“Acreditar na importância desse assunto é inserir o Brasil no século 21 e apostar em todo um manancial de oportunidades existentes”, frisou.

Além de relatar aos participantes a sua experiência à frente do BrazilLAB, Dominguez também participou de um debate com Pedro Trindade, gerente do Laboratório de Inovação na Gestão (LAB.ges), da Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger), do Governo do Espírito Santo.

“O LAB.ges é o laboratório de inovação do Governo do Estado, tendo sido formalizado em agosto de 2017. Fica dentro da Seger, mas é transversal. Tem o objetivo de incorporar inovação ao serviço público, trabalhando em todos os órgãos do governo, seja na administração direta ou indireta”, explicou Trindade.

O gerente do LAB.ges ainda ressaltou a necessidade de o poder público abrir espaço para inovação. “Precisamos ter ambientes que favoreçam práticas colaborativas, em espaços mais lúdicos, que não sejam tão carregados, com pilhas de processos. Para cobrar que os servidores sejam inovadores, é preciso oferecer condições. Senão fica difícil sair da caixa e pensar de forma diferente. Nisso o LAB.ges dá exemplo, sem fazer grandes investimentos”, afirmou.

Presente ao evento, o secretário de Estado de Transparência e Controle, Edmar Camata, garantiu que integrar os órgãos públicos à iniciativa privada é um dos objetivos do governo estadual. “Queremos descobrir onde as startups podem se encaixar no governo. Colocamos o Estado à disposição dessas inovações. No âmbito da transparência e do controle, isso é extremamente possível”, assegurou.

De acordo com o secretário executivo do Espírito Santo em Ação, Orlando Bolsanelo Caliman, o workshop teve o objetivo de inserir o movimento na defesa de atitudes inovadoras na gestão pública. “É o pontapé inicial em outra batalha que estamos assumindo, com um grupo de trabalho que envolverá mantenedores e atores da sociedade civil”.