“Falta ao Brasil uma visão para a Educação”, diz economista do Instituto Unibanco

 

O economista Ricardo Henriques, superintendente do instituo Unibanco, participou na última quinta-feira do primeiro Educação em Debate, promovido pelo ES em Ação. Após apresentar números e os desafios para o que classifica como “educação de qualidade para todos”, Ricardo Henriques concedeu esta entrevista sobre o programa que o Instituto desenvolve no Espírito Santo e o que fazer para avançar com a Educação no Brasil:

O que é o programa Jovens do Futuro e de que forma ele contribui para a melhoria do desempenho dos alunos de Ensino Médio no Espírito Santo?

Ricardo Henriques  – O programa feito em parceria com a Secretaria Estadual de Educação  é uma agenda de gestão educacional totalmente focada em ter como resultado a redução da evasão, o aumento do desempenho de aprendizagem de todos os estudantes de Ensino Médio da rede pública do Espírito Santo e uma redefinição positiva permanente da relação entre professores e estudantes. A gente fez aqui a implantação entre 2015 e 2017 e fizemos uma avaliação canônica de impacto dentro das regras de ouro de avaliação e se demonstrou resultados muito fortes. Uma evolução na aprendizagem de Língua Portuguesa e Matemática em todos as séries a um padrão de, a cada três anos de ensino, uma média de cada estudante acumulando mais um ano de aprendizagem nestas disciplinas. A gente credita que neste período de evolução da nota do Ideb do Espírito Santo para o segundo lugar no país da rede pública, 60% da avaliação se deve à nova agenda de gestão, com redução na evasão e com redução das desigualdades entre as escolas. Então,  é muito exitoso.

Agora, vai avançar para o Ensino Fundamental, como o secretário Vitor de Ângelo anunciou  no evento… é este o plano de 2020?

Ricardo Henriques  – Em 2019, nós seguimos a agenda aprofundando a universalização no Ensino Médio, e agora segue descendo para os anos finais do Ensino Fundamental, o oitavo e o nono ano. Para poder fazer a transição para o Ensino Médio porque o gargalo do Fundamental para o Médio é muito alto.

A cada 100 alunos que entram no primeiro ano do ensino fundamental, só 65 terminam o Médio, conforme o dados que apresentou na sua palestra. O que  é  fundamental para o Brasil pensar hoje em Educação?

Ricardo Henriques   – E só 54  alunos concluem o Ensino Médio no período certo, sem defasagem, ou seja, até os 19 anos. Duas ideias, para sintetizar aqui. A primeira é que falta ao Brasil uma visão para a Educação. Uma visão comprometida com Educação de qualidade para todos e não só para alguns estudantes. Não é admissível que para cada 100 crianças que começam a estudar, 35 não terminem o ciclo obrigatório. Isso é totalmente inadmissível. O primeiro ponto, então, é uma visão de educação estruturada, construir com a sociedade a adoção de prioridade para a Educação. A Educação é o elemento pivô de toda a agenda de desenvolvimento do país. Então, precisamos de uma visão estruturada de médio e longo prazo, com rebatimento operacional sobre a importância nuclear do projeto de autodesenvolvimento do país. Este é o primeiro e incontornável fato para ser feito. O segundo movimento que se dá em sequência: é como engajar todo o corpo de professores em torno desta agenda. Para isso, precisa de estratégia de gestão, plano de desenvolvimento de professores de formação inicial, precisa de carreira, precisa criar um ambiente em que professores e sociedade estejam compartilhando a mesma visão. No Espírito Santo, do ponto de vista relativo, é mais fácil fazer do que em vários Estados do país. No entanto, a gente precisa ter mais velocidade.

E o papel do terceiro setor, como o Instituto Unibanco e o ES em Ação?

Ricardo Henriques   – O terceiro setor tem desenvolvido nos últimos 20 anos de forma crescente um papel importante de poder fazer por um lado inovações, e por outro, de ser um construtor com os poderes legitimamente instituídos, que foram eleitos, de agendas amplas à serviço da inclusão de todos os estudantes e da aprendizagem. Acho que o ES em Ação é um dos melhores exemplos que temos no cenário nacional de um grupo diverso de empresários da sociedade civil, todos articulados independentes de qual Governo, em  prol desta pauta prioritária que é a Educação.