Especialistas fazem panorama da Educação no Brasil e debatem suas prioridades

“Estamos vivendo a reforma da educação”. Esta afirmação é de Priscila Cruz, presidente-executiva da ONG Todos pela Educação e uma das convidadas do evento Educação em Debate, realizado na tarde desta terça-feira, 16 de julho, na sede do Espírito Santo em Ação. Fundador e presidente do ICE (Instituto de Corresponsabilidade pela Educação), Marcos Magalhães foi o segundo convidado do encontro promovido pelo Núcleo de Educação do movimento empresarial.

“Há 10 anos, não teríamos espaço para esta conversa, nem cases de sucesso como os que temos hoje em dia. Ou seja, este é um momento bom para acelerar as mudanças que precisam ser feitas no Brasil”, completou, justificando a reforma educacional da qual falara anteriormente em função “de importantes pilares que foram colocados em pauta e estão em vigor, como o sistema financeiro mais bem estruturado, o “arcabouço” de programas avaliativos do nível da educação brasileira, a Base Nacional Comum Curricular e, mais recentemente, a reforma do Ensino Médio”.

E ao defender o “bom momento para acelerar as mudanças necessárias para a educação”, Priscila também reforçou as palavras que haviam sido ditas pelo diretor-presidente do Espírito Santo em Ação, Luiz Wagner Chieppe, na abertura do evento. O executivo conclamou o público a usar o ambiente favorável, “explorar ao máximo” a expertise de ONGs e institutos como o Todos pela Educação e o ICE, e criar uma onda em prol da educação. “Se não fizermos isso, teremos mais uma geração perdida”, alertou.

Educação, já!

Para completar o rol de ações da reforma educacional, a presidente-executiva da Todos pela Educação citou a nova agenda da ONG, o Educação, já!, documento lançado em setembro do ano passado, com recomendações de políticas públicas para o governo federal de 2019 a 2022. Segundo ela, a proposta vem ganhando corpo, inclusive no Congresso Nacional.

“O Educação, já! trata-se de uma proposta técnica de estratégia para a Educação Básica e prioridades para o governo federal. O documento apresenta recomendações baseadas em diagnósticos, referenciadas no Plano Nacional de Educação e das medidas levantadas a que acho mais importante é a que trata das mudanças na carreira do professor. Precisamos mexer na carreira deste profissional, elevar para cima, dar apoio, mas também cobrar”.

Priscila se diz uma otimista cética. Mas o que seria isso? Otimista porque reconhece os avanços. “O Brasil está mais maduro, temos casos de sucesso aqui no Espírito Santo, em Pernambuco, no Ceará”, diz. E cética porque também sabe quais são as dificuldades. “Nem sempre educação é projeto prioritário dos governos e melhorar a aprendizagem precisa ser o nosso foco, temos que entrar neste novo capítulo civilizatório. Por isso é tão importante mantermos a indignação, apesar de reconhecer que estamos hoje melhores do que há uma década”.

Escola da Escolha

Marcos Magalhães voltou um pouco no passado e falou sobre o nascimento da Escola da Escolha em Pernambuco. Tudo aconteceu há 19 anos, diante da necessidade de se pensar numa “nova escola”. “Naquela época, ninguém falava em sistema integral, apesar de que o Brasil já estava 150 anos atrasado, pois as escolas da Europa e dos Estados Unidos sempre foram em horário integral. Ou seja, não reinventamos a roda, somente adaptamos o sistema parcial de ensino, implantado no País em função de falta de espaço físico e de verba, por meio de um currículo integrado que une educação acadêmica, preparação do jovem para competências socioemocionais, e habilidades do século 21”.

Em 2004, o processo da Escola da Escolha teve início em Pernambuco. Quinze anos depois, o modelo é realidade em 19 estados, Magalhães está trabalhando para garanti-lo em todo o País e, ainda segundo ele, a próxima tarefa será universalizar o modelo.

Debate

Depois da apresentação, Priscila e Marcos participaram de um debate com o público. Políticas públicas, Enem e formação profissionais foram alguns dos assuntos debatidos neste segundo momento. Magalhães defendeu um novo Enem, de forma que a avaliação seja uma consequência do currículo escolar e não o contrário – como acontece hoje.

Reitor do Centro Universitário Faesa e quem vai substituir Café Lindenberg na presidência do Conselho Deliberativo do Espírito Santo em Ação a partir de 29 de julho para a gestão 2019-2021, Alexandre Theodoro também participou do Educação em Debate e aproveitou tanto o evento quanto os convidados para ressaltar a relevância do tema na rotina do movimento empresarial.

“Educação é uma pauta permanente no Espírito Santo em Ação. Mas a importância do tema vai além. Quando o País sair da crise vai precisar de gente preparada. Então, falar de educação, e sobretudo de educação de qualidade, é o caminho para o Brasil se desenvolver da melhor forma”.

 

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