Energia Solar em pauta no ES em Ação

“O sol brilha para todos”. Você já deve ter ouvido essa frase usada em um contexto motivacional. No caso do setor energético brasileiro, o brilho do Astro-Rei começa a ser percebido pelo crescimento da utilização da energia solar fotovoltaica por residências e empresas. Apesar de ainda representar apenas 0,02% da matriz elétrica nacional, essa fonte tem um mercado promissor e vem registrando aumento no número de instalações ao longo dos anos.

Para tratar dessas perspectivas, o Comitê de Energias Renováveis do Espírito Santo em Ação traz, nesta quarta-feira (dia 7), o presidente executivo e um dos fundadores da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Lopes Sauaia, para um evento em que abordará como o Estado se enquadra no contexto da utilização de energia verde e limpa e quais as possibilidades que podem ser exploradas para os próximos meses e anos. O encontro acontece na sede do Espírito Santo em Ação, em Vitória, às 14 horas, e terá a presença do setor empresarial, de representantes do governo e da academia e de empreendedores do setor voltaico.

Na entrevista abaixo, Sauaia apresenta um cenário do crescimento da energia solar fotovoltaica como um fonte de baixo impacto ambiental e capaz de proporcionar redução de despesas com eletricidade para seus usuários.

 

Como a energia solar fotovoltaica está inserida na matriz elétrica brasileira?
SAUAIA – A energia solar fotovoltaica vive um momento de inserção na matriz elétrica brasileira e conta com grande apoio da população para isso. Pesquisa da Datasenado mostra que 85% da população aprova a criação de mais incentivos públicos para a energia solar, fotovoltaica e eólica. Uma pesquisa recente do Ibope Inteligência mostrou que 89% dos brasileiros querem gerar energia solar renovável em suas casas. O fato de a tarifa de energia elétrica ter aumentado de valor nos últimos anos faz crescer esse interesse da população, como uma forma de cortar gastos. Mas ainda temos um fator complicador que é uma tarifação inadequada sobre a energia solar fotovoltaica e os equipamentos utilizados na geração dessa energia, o que prejudica o desenvolvimento do setor.

 

Qual tem sido o papel da Absolar na promoção dessa fonte de energia?
A Absolar tem recomendado o desenvolvimento de políticas, programas e incentivos por parte dos governos federal, estadual e municipal para acelerar o mercado voltado a esse segmento. É bom lembrar que a Absolar é uma entidade nacional que congrega empresas, profissionais, instituições financeiras e acadêmicas, fabricantes de equipamentos, entre outros elos dessa cadeia da energia solar. Nosso trabalho tem sido representar e servir como ponto de encontro e debates para discutir os desafios desse setor.

 

Apesar de todos esses esforços, o Brasil ainda aproveita pouco o potencial da energia solar. Por que isso acontece?
O Brasil está atrasado no aproveitamento da fonte solar para a geração de energia elétrica. Menos de 1% de nossa matriz elétrica é atendida por essa fonte, o que representa apenas 40 mil consumidores em todo o país. A boa notícia é que, recentemente, todas as esferas do governo despertaram para a oportunidade que essa fonte de energia renovável representa para o desenvolvimento socioeconômico regional e até mesmo para os próprias contas, visto que a utilização de energia solar em prédios públicos, como escolas e hospitais, alivia os custos recorrentes de energia elétrica.

 

E como o Espírito Santo está inserido nesse contexto?
Em dezembro do ano passado, o governador Paulo Hartung aprovou uma adesão ao convênio ICMS nº 16/2015, que autoriza os governos estaduais a darem isenção desse imposto sobre a energia elétrica a partir de fontes renováveis. Esse convênio, no entanto, está defasado e pode ser insuficiente para solucionar os gargalos desse mercado. A Absolar trará, no evento, uma recomendação estratégica para o governo do Estado e a secretaria da Fazenda aproveitarem uma janela de oportunidade única que existe até o final do ano para tornarem o Estado uma referência no incentivo tributário para a energia solar fotovoltaica, a exemplo do que se observa em Minas Gerais, que hoje lidera com folga o ranking de investimentos e empregos nesse setor.

 

NÚMEROS

1 GIGAWAT
Potência instalada de usinas de fonte solar fotovoltaica em operação no Brasil

500 mil residências
Podem ser atendidas por esse potencial energético

40 mil residências
São abastecidas com energia solar fotovoltaica atualmente no Brasil

5 a 7 anos
Prazo para recuperação do investimento feito em um sistema de energia solar fotovoltaica

0,02%
Da matriz elétrica brasileira corresponde à energia solar fotovoltaica